Modalidade amplia presença no planejamento financeiro de famílias e empresas diante do crédito mais caro
O mercado brasileiro de consórcios mantém trajetória de crescimento em 2026 e reforça sua posição como uma das principais alternativas para quem busca adquirir bens ou contratar serviços sem recorrer ao crédito tradicional. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que, apenas no primeiro quadrimestre do ano, o sistema movimentou R$ 179,4 bilhões em créditos comercializados, resultado 27% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Além do aumento no volume financeiro, o setor também registrou crescimento de 16,1% nas adesões, demonstrando que mais brasileiros estão recorrendo ao consórcio como instrumento de planejamento financeiro e formação de patrimônio.
Para Alysson Francisconi, gerente geral de vendas da Lojacorr Consórcios, os números refletem uma mudança no comportamento do consumidor diante do cenário econômico atual. “O mercado de consórcios segue apresentando um desempenho bastante sólido neste primeiro semestre de 2026. Os dados da ABAC mostram crescimento consistente em praticamente todos os indicadores do setor, com destaque para o aumento nas adesões, no volume de créditos comercializados e no número de participantes ativos”, afirma.
Segundo Francisconi, o avanço do setor está diretamente relacionado ao aumento do custo do crédito no país. Com juros elevados, consumidores e empresas têm buscado alternativas que permitam organizar investimentos e aquisições de forma mais previsível. “O principal fator é que o consumidor brasileiro está cada vez mais atento ao custo do dinheiro. Em um cenário de juros elevados, o financiamento tradicional acaba ficando muito mais caro, enquanto o consórcio surge como uma alternativa mais econômica”, explica.
Embora os segmentos de imóveis e veículos continuem concentrando grande parte da demanda, o mercado vem registrando expansão em outras modalidades. O consórcio imobiliário segue entre os destaques do ano, impulsionado pelo custo elevado do financiamento habitacional. Já o segmento de serviços cresce à medida que mais consumidores utilizam cartas de crédito para finalidades que vão além da compra de bens. “Hoje, o consórcio é utilizado não apenas para aquisição de bens, mas também para cirurgias, educação, viagens, energia solar e reformas”, destaca Francisconi.
A diversificação também alcança setores produtivos. O agronegócio, a logística e a expansão do transporte estão entre os segmentos que contribuem para o crescimento das vendas de consórcios em 2026. O movimento demonstra que a modalidade passou a ser utilizada não apenas por consumidores finais, mas também por empreendedores e empresas que buscam ampliar patrimônio ou investir na expansão de suas atividades.
Outra mudança observada pelo mercado está no perfil dos participantes. O consórcio, antes associado principalmente ao planejamento de longo prazo para aquisição de veículos ou imóveis, passou a atrair consumidores mais jovens e pessoas interessadas em estratégias de construção patrimonial. “Hoje vemos um público mais jovem, financeiramente mais informado e que entende o consórcio como estratégia de construção patrimonial”, afirma.






