Empresas do setor aeroespacial avançam em negociações para viabilizar cobertura especializada
O avanço dos projetos de inteligência artificial está abrindo uma nova fronteira para o mercado global de seguros. Startups espaciais e empresas de tecnologia já iniciaram discussões com seguradoras e corretoras para desenvolver coberturas voltadas a data centers orbitais, estruturas projetadas para operar no espaço e atender à crescente demanda energética dos sistemas de IA.
A movimentação ocorre em um momento de forte interesse por esse modelo de infraestrutura. O conceito ganhou destaque após declarações de Elon Musk, fundador da SpaceX, que apontou os data centers espaciais como uma alternativa para superar as limitações de energia e capacidade enfrentadas na Terra. Além da SpaceX, empresas ligadas ao setor aeroespacial, como a Blue Origin, de Jeff Bezos, e startups como Orbital, Starcloud, Lonestar Data Holdings e Cowboy Space, também estudam projetos semelhantes.
Embora ainda estejam em estágio inicial, as negociações com o mercado segurador são consideradas fundamentais para a viabilidade desses empreendimentos. A contratação de seguros é vista como um requisito importante para atrair investidores e financiadores, especialmente diante dos elevados custos de desenvolvimento, lançamento e operação dos equipamentos em órbita.
Segundo a corretora Marsh, diversas empresas já procuraram o mercado segurador para entender quais tipos de cobertura poderão ser oferecidos futuramente para esse segmento. “Já estamos começando a ver empresas focadas em data centers e empresas focadas em infraestrutura digital buscando apoio da comunidade de seguros”, afirmou Patton Kline, líder da área de aviação e espaço da Marsh nos Estados Unidos, em entrevista à Reuters.
A Lonestar Data Holdings confirmou que promoveu recentemente uma apresentação ao mercado segurador do Lloyd’s de Londres, reunindo cerca de 25 seguradoras interessadas em compreender os riscos e as oportunidades associados aos data centers espaciais.
Novo desafio para o setor segurador
O desenvolvimento dessa infraestrutura representa um desafio inédito para as seguradoras. Atualmente, o mercado já possui experiência na cobertura de riscos ligados ao setor espacial, como falhas de lançamento, problemas operacionais de satélites, detritos orbitais e fenômenos climáticos espaciais. Estima-se que o mercado global de seguros espaciais movimente cerca de US$ 500 milhões em prêmios por ano.
No entanto, a infraestrutura de inteligência artificial em órbita traz riscos ainda pouco conhecidos. A ausência de histórico operacional dificulta a modelagem atuarial e a precificação das coberturas.
Outro desafio envolve a rápida evolução dos chips de IA, ativos de alto valor que podem sofrer impactos decorrentes das condições extremas do ambiente espacial, como radiação e variações térmicas. Para as seguradoras, isso cria dificuldades adicionais na avaliação dos riscos e na definição dos limites de cobertura.
Mercado ainda depende de escala
Especialistas avaliam que o segmento ainda precisará avançar em maturidade e escala para gerar um mercado relevante de seguros. Segundo David Wade, analista de seguros espaciais da Atrium, muitas das empresas envolvidas ainda dependem de rodadas de capital de risco e precisam demonstrar viabilidade operacional antes de recorrer a financiamentos mais robustos.
Mesmo assim, o interesse crescente das seguradoras sinaliza que o setor acompanha de perto o desenvolvimento dessa nova indústria. Caso os projetos avancem, os data centers orbitais poderão inaugurar uma nova categoria de riscos para o mercado global de seguros e resseguros, ampliando a atuação das seguradoras em uma das áreas mais inovadoras da economia digital.
Fonte: Reuters






