Pesquisa revela crescimento dos sinistros suspeitos e uso crescente de deepfakes, imagens adulteradas e identidades sintéticas
O mercado segurador brasileiro registrou, em 2025, o maior índice de fraudes desde o início da série histórica acompanhada pela Peers Consulting + Technology. Segundo levantamento da consultoria, o volume de sinistros com suspeita de fraude cresceu 15% no último ano, enquanto o percentual de fraudes comprovadas praticamente dobrou, passando de 1,8% dos prêmios ganhos, em 2021, para 3,3% em 2025.
O avanço das fraudes representa um impacto direto nos resultados das seguradoras, aumentando as perdas financeiras e reforçando a necessidade de investimentos em tecnologias de prevenção, analytics e aprimoramento dos controles operacionais. De acordo com a Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), as organizações perdem, em média, até 5% de sua receita anual em decorrência de fraudes.
Inteligência artificial impulsiona novos golpes
O estudo aponta que a inteligência artificial generativa passou a desempenhar papel central na sofisticação dos golpes aplicados contra seguradoras. Ferramentas como ChatGPT, Midjourney e DALL-E vêm sendo utilizadas para criar narrativas falsas, adulterar imagens de acidentes e manipular documentos com elevado grau de realismo, dificultando a identificação das fraudes.
Outra modalidade em expansão é a criação de identidades sintéticas, produzidas a partir da combinação de dados reais vazados com informações geradas por IA. Essas identidades são utilizadas tanto na contratação de seguros quanto na tentativa de obtenção indevida de indenizações. Segundo a CNseg, esse tipo de fraude já provoca perdas superiores a US$ 30 bilhões por ano em todo o mundo.
Além disso, os deepfakes de áudio e vídeo passaram a representar uma nova ameaça ao setor. Com poucos segundos de gravação, criminosos conseguem reproduzir vozes e simular identidades durante processos de autenticação. Em 2024, os ataques utilizando voz sintética cresceram cerca de 475%, ampliando a demanda por soluções de biometria e verificação de autenticidade.
“As frentes para a aplicação das fraudes estão muito mais sofisticadas e as validações tradicionais já não são capazes de detectar a veracidade dos sinistros. A resposta eficaz para essas empresas exige mecanismos avançados de verificação digital multimodal, ferramentas capazes de detectar inconsistências visuais e metadados adulterados antes da aprovação de qualquer prêmio”, afirma Alexandre Sgarbi, diretor executivo da Peers.




