Especialista alerta que, para obter sucesso, ferramenta deve ser implementada com organização; conheça a corretora que ganhou tempo para a prospecção de novos negócios
Reportagem publicada, originalmente, na 66ª edição da revista digital.
O árduo processo de transição digital nas corretoras de seguros ganhou mais uma personagem: a Inteligência Artificial. Embora a ausência dessa tecnologia não provoque um colapso imediato na operação, uma perda gradual e silenciosa de nível de concorrência está prevista em um futuro próximo.
Ao mesmo tempo em que a IA surge como um motor indispensável de produtividade, sua adoção exige cautela: se mal implementada no ambiente operacional, em vez de agilizar processos, a ferramenta pode consolidar gargalos e gerar um problema crônico na gestão da empresa.
“A dificuldade mais profunda é a ausência de processo descrito e de dados organizados. IA aplicada sobre uma operação que funciona no improviso e na memória das pessoas só acelera o improviso”, avalia Genival Silva, cofundador da DHOMO INS.
Nesse sentido, o especialista destaca que, ao decidir usar a ferramenta, o profissional primeiro deve organizar a carteira. Em seguida, segundo ele, a área a ser priorizada é a retaguarda comercial e operacional. “É nela que se concentra o trabalho manual que consome a energia da equipe e devolve pouco em diferenciação”.

Para iniciar, Genival recomenda escolher apenas um processo. “Meça como ele está hoje, aplique, meça de novo. Implementação ampla e simultânea é o caminho mais comum para o abandono do projeto”.
Quem hoje colhe os frutos de uma decisão estruturada é a Digital Broker Corretora de Seguros. A empresa passou a usar a IA para comparar as condições gerais e dos clausulados das seguradoras, que atualizam constantemente seus contratos.
“O ganho de tempo foi absurdo. Antes levávamos um dia inteiro para atender um cliente. Agora, conseguimos atender em apenas uma hora, ajustando e calibrando o processo”, relata Daniela Paschoal, diretora da empresa. “Porém, ressalto que a IA deve ser sempre assistida: não dá para confiar em um simples “copia e cola” sem a interpretação humana”, complementa.
Atualmente, a DigitalBroker faz o cross-selling na sua carteira oferecendo produtos adicionais que se encaixam no cotidiano dos seus clientes. Esse fôlego operacional só foi possível com a automação de processos, que permitiu à corretora migrar de uma postura reativa para uma atuação proativa. Com a consolidação dessa fase da IA na corretora, a executiva projeta avançar com a ferramenta em novas frentes.

“O objetivo é evitar que o cliente fique aguardando por respostas, garantindo que ele continue sendo assistido mesmo quando o corretor não puder intervir imediatamente”, avalia Daniela Paschoal, Diretora da Digital Broker Corretora de Seguros.
Para Daniela, esse dinamismo é fundamental para a expansão do negócio, reforçando que, para crescer, é preciso adotar novas posturas. Isso também se reflete em mais tempo livre e equilíbrio para os colaboradores aproveitarem momentos de lazer.
Apoio à categoria, por Boris Ber
O caso da DigitalBroker mostra que a IA já entrega valor prático no cotidiano das corretoras, se utilizada de forma correta e responsável. O presidente do Sincor-SP, Boris Ber, alerta que a orientação final deve ser exclusivamente do corretor. “A decisão, a orientação e o relacionamento continuam sendo responsabilidades do corretor. A tecnologia amplia a capacidade de atuação do profissional, mas não substitui a confiança que existe entre corretor e cliente”.
Apesar das vantagens operacionais, a adoção da tecnologia traz desafios de implementação, especialmente para estruturas menores. Boris Ber destaca que a entidade acompanha de perto essa jornada. “Sabemos que, principalmente para as pequenas e médias corretoras, o maior desafio nem sempre é a tecnologia em si, mas entender por onde começar, quais processos vale a pena automatizar e quais soluções realmente fazem sentido para a realidade do mercado de seguros”.
Para apoiar a categoria nesse processo de transição, o sindicato tem investido no suporte direto aos profissionais por meio da educação e de novas ferramentas. “O Sincor-SP vem construindo um verdadeiro ecossistema de inovação. Além da Sinc.IA e das iniciativas promissoras que estamos desenvolvendo para aplicar Inteligência Artificial em nossas próprias demandas, estamos ampliando parcerias para oferecer novos cursos e capacitações voltados ao uso prático da IA na corretagem”, afirma o presidente da entidade.

Além das soluções tecnológicas, o foco da entidade está na disseminação do conhecimento estratégico para garantir que a inovação cumpra o seu papel de fortalecimento da profissão. Nesse sentido, o sindicato disponibiliza conteúdos por meio da Academia Sincor-SP, promove eventos como o SINC Summit e o ConectaCor, além de publicar reportagens, entrevistas, podcasts e materiais técnicos que mostram como aplicar a Inteligência Artificial na prática.
“Nosso propósito é oferecer informação, capacitação e ferramentas para que o corretor utilize a tecnologia como aliada na geração de valor para seus clientes e no crescimento dos seus negócios”, destaca Boris.
Por fim, o presidente da entidade reforça que o avanço tecnológico não elimina o fator humano, mas sim o potencializa. “A Inteligência Artificial não veio para substituir o corretor de seguros. Ela veio para aumentar sua produtividade, qualificar o atendimento e permitir que ele dedique ainda mais tempo ao que faz toda a diferença: compreender as necessidades de cada cliente, orientar suas decisões e oferecer a proteção mais adequada para cada realidade”, conclui.
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