Artigo – A emoção de empreender

Artigo - A emoção de empreender

Por: Regina Lacerda*

Não sei quantas vezes já escrevi e falei sobre esse tema. Empreendedorismo corre nas minhas veias.

Afinal, desde 1994, quando uma “menina” decidiu se exonerar do judiciário do Distrito Federal, ocupando bom cargo por concurso público, para empreender, tudo poderia acontecer: dar certo ou dar errado. Graças a Deus, deu certo!

Cada vez me motiva mais falar sobre esse assunto. Afinal, no Brasil, 38% da população já abriu seu próprio negócio. Ou seja, são mais de 52 milhões de pessoas sendo chefes de si mesmas.

Ainda estamos vivendo um período pós-pandemia e as motivações para empreender têm se alterado bastante.

Dados recentes do Sebrae e do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), com base na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), mostram que empreender é o quarto maior sonho entre os brasileiros. Os três primeiros são comprar uma casa, um carro e viajar.

No conceito GEM, o empreendedorismo é qualquer tentativa de criação de um novo empreendimento (formal ou informal), seja uma atividade autônoma e individual, uma nova empresa ou a expansão de um empreendimento existente. E a atividade empreendedora se inicia antes mesmo da criação do negócio.

No levantamento de 2022, o nível de empreendedorismo total no Brasil manteve-se relativamente estável. Houve ligeira tendência de queda, com taxas que foram de 31,6% em 2020 a 30,3% em 2022.

Isso significa que, em cada ano, há 42,2 milhões de pessoas envolvidas com a criação ou manutenção de um negócio próprio em qualquer estágio.

Desse número, de acordo com o StartSe, há 24 milhões de mulheres empreendedoras. Nos últimos anos, o percentual passou de 38% para 45%, motivado por uma busca maior por independência e autonomia.

Interessante observar que o GEM vem distinguindo a motivação dos brasileiros para empreender em duas categorias: oportunidade ou necessidade.

Em 2022, “ganhar a vida devido à escassez de empregos” foi a maior motivação para os empreendedores nascentes (aqueles em criação ou com até 3 meses de atividade) e empreendedores novos. Pouco mais de 80% dos empreendedores indicaram esse motivo para iniciarem um negócio.

A segunda razão mais mencionada nos dois estágios do empreendedorismo inicial foi “fazer diferença no mundo” – quase 80% entre os empreendedores nascentes e pouco acima dos 70% entre os empreendedores novos.

E a terceira opção mais citada foi “o desejo de construir uma grande riqueza ou renda muito alta”, (73% nascentes). Por fim, menos da metade dos empreendedores manifestam a “tradição familiar” como uma razão para empreender.

Chama bastante atenção que em 2022, segundo a pesquisa, a pandemia deixou de ser a principal causa de descontinuidade dos negócios no Brasil. Se destacam entre as razões, situações relacionadas ao negócio em si, como a lucratividade e obtenção de recursos financeiros.

Esse último merece total atenção porque empreendedoras mulheres tem maior dificuldade para receber crédito, embora figurem como menos inadimplentes.

E vejam quem extraordinário: a pesquisa também mostra que há uma elevada proporção de brasileiros que ainda não são empreendedores, mas que manifestam a intenção de iniciar uma atividade empreendedora num futuro próximo, de até três anos. São 53% da população adulta ou seja, 51,5 milhões de pessoas.

Ao longo da história, a inserção das mulheres no empreendedorismo ocorreu de forma mais tardia. Isso porque, tradicionalmente, as mulheres enfrentam mais dificuldades para permanecer na atividade empreendedora. Em geral, entre o momento da ideia, a criação e a consolidação do negócio, há uma perda maior de mulheres nesse processo.

Mas vamos combinar que empreender não é sinônimo de glamour, viagens e horas de lazer como muitos possam pensar. O empreendedorismo no Brasil requer profissionais capacitados para superar obstáculos e trilhar o caminho para o sucesso.

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Baseado na minha experiência como empreendedora, quero compartilhar cinco passos que talvez possam contribuir para quem deseja empreender, principalmente no mercado de seguros, abrindo uma corretora de seguros.

  • Tenha foco, comprometimento e paciência.

Nada nasce grande e alguns negócios às vezes nem decolam. Foco e comprometimento são fundamentais, assim como a paciência e a persistência enquanto trilha seu caminho.

  • Seja arrojado

Pessoas arrojadas são aquelas que não têm problema em acertar depois de alguns erros. Entendem que os erros as colocam no melhor caminho. Grandes empreendedores não acertaram de primeira. Infelizmente, um novo negócio nem sempre vai ter êxito fácil. Tentar e manter o otimismo é fundamental para não desistir no primeiro tropeço.

  • Construa um planejamento detalhado

Para ser um negócio com chances de prosperar, é preciso fazer um planejamento acertado e considerar as mais diversas variáveis. Por exemplo:

  • entenda o diferencial do seu serviço ou produto;
  • saiba quem são seus possíveis clientes;
  • veja onde vai começar a vender;
  • perceba quais as chances de escalar o negócio.

A matriz SWOT, para entender as forças e fraqueza do negócio, e o ciclo PDCA, para visualizar melhor ciclos e processos, são ferramentas muito úteis.

  • Invista em sua educação e capacitação

Estudar é fundamental. Adquirir conhecimento abre portas e permite que você amplie seus horizontes. Depois da pandemia, a tecnologia se tornou o maior aliado das pessoas. Cursos EAD, lives, palestras gravadas permitem flexibilidade para estudar a qualquer momento. Lembre-se: trabalhar ou estar muito ocupado no seu negócio não devem ser desculpa ou impedimento para sua capacitação.

  • Trabalhe duro, não espere que ninguém o faça por você

Tive oportunidade de escrever um pouco da minha história nos livros Empreendedoras de Alta Performance Brasília e Mulheres no Seguro, ambos publicados pela editora Leader, de São Paulo. Lembro de ter relatado quão duro trabalhei nos primeiros anos da minha corretora. Ao longo do tempo, mesmo tendo uma equipe capacitada, sempre procurei estar a par de tudo para agir com rapidez na solução dos problemas e demandas dos clientes.

Por fim, vejam como o cenário hoje é bem diferente de 1994, quando eu não conheci mais ninguém além de mim que se desligou do serviço público para empreender. Fui taxada de louca. Ninguém naquela época, com um mínimo de sanidade, colocaria em risco um emprego da vida inteira pelo risco de empreender, ainda mais em Brasília, a cidade com vocação para o serviço público.

Mas a pesquisa do GEM de 2022, quase 30 anos depois, demostrou que, quando a comparação sobre empreender é feita com outros sonhos de natureza profissional, como “fazer carreira em empresa ou no serviço público”, a predominância do sonho de “ter um negócio próprio” se mostra ainda mais flagrante.

Então, se você está entre essas milhões de pessoas que, assim como eu, tem o sonho de empreender, vá em frente!

Ser empreendedor é algo que pode parecer fácil quando você ouve as histórias. Porém, exige dedicação, foco e trabalho duro.

A parte boa é que é empolgante, porque tudo está em suas mãos para acontecer!

*Regina Lacerda

Pós-Graduada em Administração Pública pela FGV; em Gestão Comercial do Seguro pela ENS; em Ciência da Religião pela FTBB. Graduada em Pedagogia e em Teologia. Formada em Neurolinguística, Hipnose e Coaching pelo Instituto de Neurolinguística (INNER). Escritora, Coordenadora do Livro Mulheres no Seguro. 33 anos no mercado de seguros. Fundadora e CEO da Rainha Corretora de Seguros. Presidente do CESB – Clube das Executivas de Seguros de Brasília. Acadêmica da ANSP – Academia Nacional de Seguros e Previdências. Embaixadora da SOU SEGURA e Voluntária do IDIS.

Leia, por fim, a 37ª edição da revista:





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