Avanço dos carros elétricos impulsiona mudanças no mercado, representando mais de 16% das cotações de seguro no Brasil
O preço do seguro de automóvel atingiu em abril o menor nível de toda a série histórica do IPSA. O IPSA + IPSM – Índice de Preço do Seguro de Automóvel e Moto, desenvolvido pela TEx, parte da Serasa Experian, registrou 4,5% no seguro auto, consolidando um novo patamar de preços mais baixos e maior estabilidade no setor.
Na comparação entre abril de 2025 e abril de 2026, o índice do seguro de automóveis recuou de 5,2% para 4,5%, mantendo a trajetória de queda observada desde o segundo semestre do ano passado. O movimento reforça um ambiente mais competitivo para consumidores, seguradoras e corretoras, em um cenário marcado por maior previsibilidade na precificação das apólices.
Enquanto o seguro auto renovou a mínima histórica, o seguro de motos também apresentou retração anual. O IPSM caiu de 9,4% para 8,7% no período, embora tenha registrado leve alta frente aos 8,4% observados em março. Mesmo assim, o índice segue abaixo dos níveis registrados ao longo de 2025, quando chegou ao pico de 10,1%.
Cenário inédito no mercado
Além da acomodação dos preços, abril também consolidou uma mudança importante na composição da frota segurada. Os veículos eletrificados — híbridos e elétricos — passaram a representar 16,1% das cotações de seguro realizadas no país, mais que o triplo da participação registrada no início da série histórica.
Quando o indicador passou a acompanhar a distribuição de combustíveis, em novembro de 2024, os veículos a gasolina concentravam 93,6% das cotações, enquanto híbridos representavam 2,4% e elétricos apenas 1,1%. Em abril de 2026, a gasolina caiu para 79,2%, os híbridos chegaram a 7,1% e os elétricos atingiram 9,0%.
Pela segunda vez consecutiva, os veículos elétricos superaram individualmente os híbridos nas cotações monitoradas pelo índice, um movimento inédito desde o início da série histórica.
Segundo Emir Zanatto, Head de Seguros da Serasa Consumidor, o avanço dos eletrificados começa a alterar o comportamento do mercado segurador e a dinâmica de precificação das apólices.
“A combustão continua predominante, mas a perda de espaço é consistente. Os híbridos abriram caminho para essa transição e os elétricos passaram a acelerar em ritmo mais forte nos últimos meses. Isso muda o perfil da frota segurada e exige adaptação gradual das seguradoras, oficinas e operações de precificação”, afirma.
O que está influenciando o preço
O tipo de contratação segue influenciando diretamente o valor do seguro. Em abril, apólices novas registraram os maiores índices, com 5,8% no auto e 7,6% na moto, enquanto as renovações apresentaram percentuais menores, reforçando o peso do histórico do segurado na formação dos preços.
Os recortes demográficos também mostram diferenças relevantes. No seguro auto, homens registraram índice médio de 4,7%, ante 4,2% entre mulheres. Nas motos, os percentuais ficaram em 8,9% para homens e 8,7% para mulheres.
A faixa etária segue como um dos principais fatores de risco. Condutores entre 18 e 25 anos registraram 8,8% no seguro auto e 15,1% no seguro de motos, enquanto motoristas com 56 anos ou mais apresentaram 3,5% no auto e 5,8% na moto.
A localização também continua impactando diretamente o custo das apólices. Em abril de 2026, a região metropolitana do Rio de Janeiro registrou os maiores índices do país, com 6,1% no seguro auto e 12,0% no seguro de motos. Já Belém apresentou 3,1% no auto e 5,7% na moto.
Modelo do veículo é fator preponderante
Enquanto isso, as características do veículo seguem influenciando o preço do seguro. Carros com seis a dez anos de uso registraram índice médio de 6,1%, quase o dobro dos veículos zero quilômetro, que ficaram em 3,1%.
No recorte por valor de mercado, veículos entre R$ 31 mil e R$ 50 mil apresentaram os maiores índices, enquanto modelos acima de R$ 151 mil registraram os menores percentuais.
Entre os tipos de propulsão, os híbridos mantiveram os menores índices de seguro entre veículos com até dois anos de uso, fechando abril em 2,5%. Já os elétricos permaneceram em 3,7%, ainda os maiores percentuais entre os combustíveis analisados.
Para Zanatto, o mercado segurador entra em uma nova etapa, marcada simultaneamente pela reorganização dos preços e pela transformação gradual da frota brasileira.
“O setor vive duas transformações ao mesmo tempo: um ciclo mais equilibrado nos preços do seguro e uma mudança gradual na composição da frota. A eletrificação deixou de ser tendência distante e passou a aparecer de forma concreta nos dados de cotação”, conclui.
O relatório IPSA + IPSM de abril de 2026 está disponível para consulta e download gratuitamente.






