IPSA cai para 4,4% em junho de 2026 e consolida um ambiente mais competitivo para o seguro de carros; seguro de moto também recua, mas segue mais sensível às oscilações do mercado
O preço do seguro de automóvel atingiu em junho de 2026 o menor nível de toda a série histórica do IPSA + IPSM – Índice de Preço do Seguro de Automóvel e Moto, desenvolvido pela TEx, parte da Serasa Experian. Na comparação com junho de 2025, o IPSA recuou de 5,3% para 4,4%, consolidando uma trajetória de queda contínua e maior estabilidade na precificação das apólices.
O resultado reforça um cenário mais competitivo para consumidores, corretoras e seguradoras. Desde outubro de 2025, quando rompeu a barreira dos 5%, o índice do seguro auto permanece abaixo desse patamar, refletindo um mercado mais previsível e com menor volatilidade.
O seguro de motos também apresentou redução no período. O IPSM caiu de 9,9% para 8,5% entre junho de 2025 e junho de 2026, uma queda de 1,4 ponto percentual. Apesar do recuo, o segmento continua registrando oscilações mais intensas do que o mercado de automóveis e permanece em um patamar estruturalmente mais elevado.
Enquanto o seguro auto consolidou um movimento de queda gradual, o seguro de motos alternou altas e baixas ao longo dos últimos meses. Após atingir 8,4% em março, o IPSM subiu para 8,9% em maio e voltou a recuar para 8,5% em junho, evidenciando maior sensibilidade às variações de risco.
Para Rodolfo Brandão, gerente executivo de Seguros da Serasa Experian, os indicadores mostram que os dois mercados vivem momentos diferentes, embora ambos caminhem para um cenário mais equilibrado.
“O seguro de automóveis consolidou um novo patamar de preços, resultado de um mercado mais competitivo e de uma precificação mais estável. No segmento de motos, ainda há maior sensibilidade às variações de risco, mas a tendência também é de acomodação. O consumidor encontra hoje um ambiente mais previsível para contratar seguro, enquanto seguradoras e corretoras conseguem atuar com maior eficiência na gestão dos riscos”, pontua Brandão.
Renovação continua reduzindo o valor do seguro
O tipo de contratação permanece como um dos principais fatores de formação do preço. Em junho, a renovação com a mesma corretora registrou índice de 3,8% no seguro auto e 6,5% no seguro de motos. Já o seguro novo alcançou 5,7% e 9,4%, respectivamente. Na renovação realizada por outra corretora, os índices foram de 3,0% para automóveis e 8,5% para motocicletas.
Jovens seguem pagando os maiores valores
A idade do motorista continua influenciando diretamente a precificação. No seguro de automóvel, condutores entre 18 e 25 anos registraram índice de 8,0%, enquanto motoristas com 56 anos ou mais ficaram em 3,6%.
Nas motocicletas, a diferença é ainda maior: 14,1% entre os mais jovens e 5,8% entre os mais experientes.
No recorte por gênero, o seguro auto caiu de 5,6% para 4,6% entre os homens e de 5,0% para 4,2% entre as mulheres. Nas motos, o IPSM passou de 10,1% para 8,6% entre homens e de 9,5% para 8,2% entre mulheres.
Rio de Janeiro lidera os maiores índices
Entre as nove regiões metropolitanas analisadas, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro registrou os maiores índices em junho, com 5,9% no seguro auto e 11,4% no seguro de motos. Curitiba apresentou os menores percentuais: 2,7% e 8,3%, respectivamente.
Idade e valor do veículo seguem influenciando o preço
Automóveis com seis a dez anos de uso registraram índice de 5,9%, praticamente o dobro dos veículos zero quilômetro (3,0%). Já os modelos avaliados entre R$ 31 mil e R$ 50 mil apresentaram o maior índice (7,7%), enquanto veículos acima de R$ 151 mil registraram 3,7%.
“Os números comprovam que carros de menor valor são mais sensíveis aos ciclos de riscos e precificação, reagindo com mais intensidade às oscilações do mercado”, explica Brandão.
Híbridos seguem com o menor custo de seguro
Entre os veículos com até dois anos de uso, os híbridos mantiveram o menor índice de seguro (2,7%), seguidos pelos modelos a diesel (3,1%), gasolina (3,4%) e elétricos (3,7%).
A composição das cotações também mostra a transformação da frota segurada. Os veículos a gasolina responderam por 79,3% das simulações realizadas em junho, enquanto os eletrificados já representam 17,1% do total — 10,2% de elétricos e 6,9% de híbridos. Somados aos veículos a diesel (3,6%), as tecnologias alternativas passaram a representar 20,7% das cotações, reforçando a diversificação da frota brasileira e seu impacto no mercado de seguros.






