Faltam produtos no mercado para atender população de baixa renda

Faltam produtos no mercado para atender população de baixa renda, diz Armando Vergilio
Presidente da Fenacor analisa que pouca penetração abre espaço para associações ilegais despertarem, pelo preço, o interesse do consumidor

O baixo alcance das variadas carteiras de seguro vem incomodando Armando Vergilio, presidente da Fenacor. Embora o resultado do setor no último ano tenha sido positivo, com crescimento de 12,1%, segundo a CNseg, ele poderia ser mais animador caso a maioria dos brasileiros tivessem condição de contratar ao menos um Seguro de Vida, ou até uma proteção especial para sua pequena empresa na periferia.

Em entrevista exclusiva, Vergilio explorou, ainda, assuntos como a importância do corretor neste período conturbado, representação política da categoria e o interminável combate contra a Resolução 382/20, em vigor desde julho.

Seguro Nova Digital – Como você avalia o papel do corretor de seguros neste momento tão complicado da vida das pessoas?

Armando Vergilio – Altamente relevante. O corretor tem sido fundamental neste momento doloroso de pandemia, a mais grave crise da saúde mundial nos últimos 100 anos. A categoria rapidamente se adaptou ao trabalho em home office e tem sido incansável, oferecendo, com agilidade e qualidade, toda a assessoria e consultoria que os consumidores precisam. Enfim, o corretor fez e está fazendo a diferença neste cenário.

SND – É possível dizer que após a pandemia os brasileiros darão mais importância para o seguro? O que o corretor tem que fazer nesse caso?

A.V – Não há dúvida alguma, e ouso afirmar que o corretor de seguros é o grande responsável por essa consolidação da imagem do setor. Claro que a pandemia, por sua gravidade e consequências extremamente duras, aumentou a percepção de que o seguro é indispensável, principalmente nos ramos de pessoas, na saúde e até residencial.

Mas, o corretor tem atuado de forma brilhante na remoção de eventuais obstáculos para que a população brasileira possa olhar o seguro com total confiança, como ocorre em todo o mundo.

SND – O setor de seguros ainda tem baixa penetração no Brasil. Por que você acredita que isso acontece?

A.V – Há fatores históricos, econômicos e circunstanciais. A cultura do seguro nunca foi devidamente difundida no Brasil. E aí, o erro talvez seja nosso e das seguradoras. Mas, estamos mudando isso. O baixo poder aquisitivo de camadas imensas da população foi outro fator determinante. Até hoje ainda faltam produtos que possam inserir adequadamente essas camadas no mercado, oferecendo a devida proteção e o amparo a todos os brasileiros. Isso abriu inclusive, espaço para a atuação de aventureiros, como as tais associações de proteção, que não protegem ninguém, muito pelo contrário. O rápido crescimento dessas associações é uma circunstância que deve servir de alerta e de aprendizados para nosso mercado.

SND – Qual recomendação você daria para o corretor de seguros enfrentar a pandemia e os desafios diariamente concebidos à categoria?

A.V – O principal é estar sempre muito bem conectado e informado, capacitado e qualificado. Para tanto, a Fenacor e o Sincor, em parceria com a ENS, estão promovendo o inédito e inovador ciclo de eventos Conexão Futuro Seguro, que apresentam aos corretores associados aos sindicatos, em etapas realizadas em cada estado, uma enorme gama de soluções, benefícios, ferramentas, capacitação e treinamento, além de novas oportunidades de negócios para que o corretor e a corretora de seguros possam alavancar suas carteiras de clientes e os seus negócios. São 22 etapas estaduais e uma nacional, que será realizada no dia 12 de novembro, aberta a todos os corretores associados dos Sincors.

SND – De que maneira você avalia a atuação do Deputado Federal, Lucas Vergilio (DEM), na representação da profissão no Congresso?

A.V – Bem, sou suspeito para falar, né?! Mas, dificilmente teríamos algum outro representante com tanta vontade, garra e determinação para defender os interesses do setor e da categoria. Friso, Ele tem sido um defensor não apenas das causas dos corretores, mas também do mercado e, principalmente, dos consumidores. Não por acaso, foi reeleito e tem ocupado postos de destaque na Câmara, sendo relator ou autor de propostas já aprovadas e de grande relevância. Hoje termos um represente como ele não é apenas necessário é imprescindível.

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SND – Por ser uma categoria com quase 100 mil profissionais registrados, você acredita que deveria ter uma representação política maior?

A.V – Em primeiro lugar, ressalto que as entidades que representam os corretores de seguros têm uma atuação política bastante expressiva e vitoriosa, como indicam a inclusão do corretor no Simples, as mudanças no texto original da MP 905/19, que transformariam esse limão em uma deliciosa limonada para a categoria, e outras mais. Além disso, já tivemos alguns deputados que eram corretores de seguros, no passado. Eu mesmo fui deputado federal e, agora, estamos muito bem representados na Câmara pelo deputado Lucas Vergilio, que é vice-presidente da Fenacor e presidente do Sincor-GO. Claro que seria interessante termos uma bancada formada por três ou quatro parlamentares corretores de seguros eleitos pela categoria em seus respectivos estados. Somo uma categoria muito forte e influente. É possível que essa representatividade seja alcançada nos próximos anos.

SND – A Resolução 382/20 está em vigor sob medida de caráter educativo. A Fenacor continuará lutando contra a norma?

A.V – Com certeza, sim. Estamos atuando em várias frentes. Há o questionamento na Justiça em que vejo boas chances de termos um resultado favorável ao nosso pleito. Além disso, apoiamos também o projeto de decreto legislativo do deputado Lucas Vergilio que revoga dois dispositivos dessa resolução, o que obriga o corretor a informar o montante do seu ganho antes da assinatura da proposta, o que é totalmente irregular e ilegal, uma afronta as leis que regem o mercado de seguros; e a figura do cliente oculto, outro absurdo.

SND – Deixe uma mensagem especial neste mês dedicado aos corretores de seguros.

A.V – Desejo a todos e todas colegas um Feliz Dia do Corretor! Tenho extremo orgulho de integrar essa categoria, que possui uma relevante missão a cumprir, protegendo as pessoas, empresas e negócios, cuidando do futuro e amparando as famílias. Estejam certos de que a Fenacor e os Sincors estarão sempre a postos, trabalhando dia e noite para oferecer todas as ferramentas, soluções e oportunidades que corretores e corretoras necessitam para exercer, com pleno êxito, a sua atividade profissional, e defendendo seus direitos junto aos Poderes, especialmente o Executivo e o Legislativo.

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Leia, por fim, a 11ª edição da revista:

 

Sergio Vitor, jornalista especializado em seguros

Jornalista e editor da Seguro Nova Digital

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