Modalidade atinge 12,85 milhões de participantes ativos e registra recorde histórico de adesão no início de 2026
O Sistema de Consórcios iniciou 2026 com novo marco histórico: 12,85 milhões de participantes ativos no fim do primeiro bimestre, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O número representa alta de 12,6% em relação ao ano anterior e um crescimento acumulado de 56,5% desde 2022, quando havia 8,21 milhões de consorciados.
O avanço ocorre em meio a uma sequência de resultados positivos. Em pouco mais de quatro anos, o setor registrou 49 recordes consecutivos de base de participantes, evidenciando a consolidação da modalidade como ferramenta de planejamento financeiro no país.
As vendas também reforçam esse movimento. No primeiro bimestre de 2026, foram comercializadas 873,09 mil cotas, alta de 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os créditos negociados somaram R$ 79,88 bilhões, avanço de 15,5%.
Para Alberto Friggi, especialista em crédito estruturado e sócio-fundador da Friggi&Secco, o crescimento está relacionado à mudança na forma como o consumidor brasileiro enxerga o planejamento financeiro. “Esse movimento reflete uma combinação de fatores, principalmente a busca por planejamento financeiro mais estruturado. O consórcio deixa de ser visto apenas como alternativa ao financiamento e passa a ser utilizado como uma ferramenta de organização patrimonial”, afirma.
Segundo ele, o maior acesso à informação também contribuiu para a expansão da modalidade. “Temos percebido um aumento de clientes que procuram o consórcio de forma estratégica, entendendo melhor o custo do crédito tradicional e buscando alternativas mais eficientes”, explica.
Planejamento e disciplina impulsionam adesão
Mesmo em um cenário sazonalmente mais desafiador, com férias e menor atividade econômica no início do ano, o setor manteve crescimento. A avaliação da ABAC é de que o consórcio segue fortalecido pela adoção de práticas de educação financeira e planejamento de longo prazo.
Na visão de Friggi, o ambiente de juros elevados também favorece a busca pela modalidade. “Quando o crédito fica mais caro e mais restrito, o consórcio se torna naturalmente mais atrativo. Ele permite um planejamento mais disciplinado, sem a pressão dos juros do financiamento tradicional”, diz.
Ele reforça que o principal diferencial está na previsibilidade. “Em vez de assumir um custo elevado no curto prazo, o cliente se organiza para adquirir um bem ou formar patrimônio de forma mais sustentável.”
Ferramenta de construção patrimonial
Na avaliação do especialista, o consórcio também vem sendo incorporado a estratégias mais amplas de organização financeira. “Ele tem um papel importante dentro da construção patrimonial e funciona como um mecanismo de disciplina financeira aliado à possibilidade de aquisição planejada de ativos”, afirma.
Em operações estruturadas, segundo Friggi, a modalidade pode ser usada para aquisição de imóveis ou ativos produtivos sem impacto imediato no caixa. “Isso permite preservar liquidez e, ao mesmo tempo, avançar na formação de patrimônio ao longo do tempo.”






