Seguro de transporte de carga fatura R$ 6,6 bilhões impulsionado por cerco da ANTT e novas regras federais

Seguro de transporte de carga fatura R$ 6,6 bilhões impulsionado por cerco da ANTT e novas regras federais

Dados da Susep revelam salto de 8% no setor em resposta à obrigatoriedade do RCTR-C, RC-DC e RC-V; especialista projeta crescimento de até 12% para o mercado de logística em 2026

O seguro de transporte de carga vive uma virada de chave histórica na fiscalização. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem intensificado o uso de ferramentas de fiscalização digital para cruzar dados de manifestos eletrônicos (MDF-e), notas fiscais e apólices em tempo real. Esse cerco tecnológico acabou com o antigo “fator sorte” das blitze físicas: agora, irregularidades na contratação de seguros obrigatórios são identificadas automaticamente pelo sistema, gerando multas pesadas, suspensão do RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas) e até a retenção de veículos.

Nesse cenário de tolerância zero, empresas de logística, transportadores autônomos e embarcadores correm contra o tempo para adequar suas apólices. “A fiscalização digital da ANTT fez com que o seguro de carga deixasse de ser apenas uma obrigação burocrática para se tornar um componente essencial da gestão de riscos e da continuidade das operações. Por isso, é importante que as empresas verifiquem se suas apólices estão adequadas às exigências atuais, evitando restrições operacionais e outros impactos decorrentes da falta de cobertura ou de inconsistências na contratação”, afirma João Paulo Barbosa, especialista em gestão de risco e CEO da Mundo Seguro. 

Esse endurecimento na fiscalização digital reflete o próprio avanço do mercado de seguros ligados à logística no país em 2025, com crescimento em várias linhas apontado por dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O seguro de transporte de cargas, núcleo do setor, registrou uma arrecadação de R$ 6,6 bilhões, uma alta de 8%, enquanto os sinistros somaram R$ 3,6 bilhões (aumento de 17,5%), abrangendo acidentes, roubos e furtos. Para 2026, a previsão é que o seguro de transporte cresça entre 10% e 12%, impulsionado tanto pela atividade econômica quanto pelas mudanças regulatórias, sob o reflexo da Lei nº 14.599/2023, que tornou obrigatórios os seguros de responsabilidade civil (RCTR-C, RC-DC e RC-V).

“Esse avanço bilionário registrado pela Susep e a projeção de crescimento de até 12% para este ano deixam claro o amadurecimento do ecossistema logístico. As empresas entenderam que, com a ANTT fiscalizando eletronicamente em tempo real, estar segurado não é mais uma opção ou um custo maleável, mas sim a garantia de que a operação não vai parar. A regulamentação trouxe regras estritas e o risco de operar na irregularidade se tornou alto demais para o bolso”, pontua o especialista.

Para ajudar as empresas a navegarem nessa nova realidade e evitarem prejuízos catastróficos, o CEO da Mundo Seguro lista os seguros obrigatórios que estão sofrendo fiscalização rigorosa automatizada:

  • RCTR-C (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga): O seguro obrigatório por lei para o transportador. Ele cobre danos causados à carga decorrentes de acidentes rodoviários, como colisões, capotamentos, abalroamentos e incêndios. “Com o cruzamento eletrônico, se o MDF-e for emitido sem o número exato da apólice ativa do RCTR-C e a averbação correta, o sinal vermelho acende na hora para a ANTT”, explica João Paulo. 
  • RC-DC (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga): Cobre o desaparecimento da carga concomitante com o veículo, decorrente de crimes como roubo, furto, apropriação indébita ou estelionato. A contratação correta é cruzada eletronicamente nos sistemas da agência. 
  • RC-V (Responsabilidade Civil do Embarcador): É o seguro obrigatório voltado à cobertura de danos corporais e materiais causados a terceiros (outros veículos, estruturas e pessoas) em acidentes envolvendo o veículo automotor utilizado no transporte rodoviário de cargas. Ele garante a proteção financeira e jurídica tanto para empresas de transporte quanto para caminhoneiros autônomos (TAC) e equiparados. 

Além da obrigação, a sobrevivência financeira

O especialista da Mundo Seguro destaca que o endurecimento da ANTT acabou gerando um efeito colateral positivo: o amadurecimento da cultura de gestão de riscos no Brasil. A busca por regularização disparou nos últimos meses. 

“As empresas estão percebendo que o custo de uma multa, somado ao valor de uma carga perdida e à paralisação da frota por irregularidade, pode decretar a falência de uma transportadora de médio porte em poucos dias. O seguro não é mais um custo para cumprir tabela com o governo, é a garantia de que a operação vai continuar de pé amanhã”, finaliza João Paulo.

Diante da urgência, a orientação para os empresários do setor é realizar uma auditoria imediata nas apólices vigentes para checar se os limites de cobertura contratados batem exatamente com o valor das mercadorias transportadas e se a integração de dados com a ANTT está operando sem falhas.

Compartilhe:

Nos acompanhe também pelas redes sociais

Links rápidos

Receba nossas informações em primeira mão

©2026. Seguro Nova Digital, a revista online do mercado de seguros. Todos os direitos reservados.

Primeira revista digital do mercado segurador, a Seguro Nova Digital é o resultado de uma ampla pesquisa, baseada nas transformações do setor e dos consumidores. O veículo surge a partir da necessidade da criação de conteúdos exclusivos no ambiente online. Para atender a demanda de clientes e usuários de todas as idades, os meios eletrônicos dispõem de ferramentas peculiares que estimulam à leitura.

A praticidade diária, a capacidade de interação, o compartilhamento de ideias em pouco tempo e o apreço pelo meio ambiente são componentes que se alinham com as mudanças de hábito do consumidor e com o desenvolvimento do mercado de seguros.

Nosso objetivo é ser um meio efetivo de comunicação, com o público que a empresa deseja atingir. Queremos decidir pautas junto ao cliente, abrir espaço para interação entre corretores, ouvir opinião do consumidor final do produto/serviço, dialogar com os porta vozes das companhias, ser um canal de referência e oxigenação no mercado.

Para isso, além dos tradicionais veículos de comunicação (site, Facebook, Linkedin e Instagram), formaremos grupos de discussão e divulgação por Whatsapp, vídeos entrevistas, sempre enaltecendo à opinião dos corretores. Nossa missão é colocar a sua informação e sua marca no caminho do público-alvo.

Somos profissionais formados na área de comunicação: Jornalismo e Relações Públicas. Assim, por meio de uma análise de quatro anos do setor de seguros, entendemos que fazer um trabalho diversificado, de relevância e com grande expertise para o segmento é essencial àqueles que desejam contribuir para o mercado.