Painel no 24º Congresso Brasileiro debateu os impactos da Resolução 493 e o futuro da distribuição de seguros
O debate sobre a autorregulação das corretoras de seguros ganhou espaço no 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros. O evento aconteceu entre os dias 27 e 30, no Rio de Janeiro. A discussão mostrou que o novo modelo deve atuar de forma complementar à regulação da Susep, com potencial para ampliar a segurança jurídica, dar mais agilidade à atividade e fortalecer a organização da categoria.
Diretor da Susep, Marcilio Otavio Nascimento Filho destacou que a autorregulação não substitui o trabalho da autarquia, mas soma esforços à supervisão do mercado. “A autorregulação é complementar à regulação da Susep”. Segundo ele, a Resolução 493, que unificou 13 normas, consolida e moderniza regras importantes para o setor.
Na avaliação do diretor, um dos principais benefícios está na possibilidade de oferecer maior segurança jurídica aos corretores. “O modelo também deve contribuir para o cadastramento e a fiscalização dos profissionais, garantindo direito de defesa em eventuais processos de sanção”, salientou o diretor.
Presidente do IBRACOR, Maria Filomena Magalhães Branquinho lembrou que a trajetória da autorregulação dos corretores começou com a Lei Complementar 147, marco que reconheceu a maturidade dos profissionais para participar diretamente da organização e fiscalização da atividade. Para ela, a evolução regulatória amplia as possibilidades para a categoria. “A Complementar 493 veio para mostrar o mar de possibilidades que temos”.
O debate mostrou, assim, que a autorregulação está inserida em uma transformação mais ampla da corretagem. De um lado, há a necessidade de aprimorar regras, fiscalização e segurança jurídica. De outro, surgem novas tecnologias, canais de distribuição e oportunidades de negócios.
Open Insurance entra no radar da corretagem
Ainda no mesmo painel foi discutida uma participação maior dos corretores no open insurance. Para a diretora da Susep, Júlia Normande Lins, a transformação da distribuição passa necessariamente pela discussão sobre o compartilhamento de dados e as novas ferramentas digitais. “Open insurance: esse é o futuro e é preciso trazer os corretores para essa discussão”.
Júlia ressaltou que a Susep pretende ampliar o diálogo com os profissionais. Para ela, o setor não pode ignorar as mudanças provocadas pela tecnologia. A diretora também avaliou que o mercado de seguros ainda possui espaço significativo para crescer e ganhar relevância diante de outros segmentos do mercado financeiro.
Além disso, Júlia reforçou o papel do corretor como elo de confiança entre seguradoras e consumidores. Para ela, a modernização do mercado deve vir acompanhada da ampliação da oferta de produtos e de novas formas de distribuição.
Segundo os dados apresentados durante o debate, a receita anual de corretagem no Brasil está entre R$ 52 bilhões e R$ 55 bilhões, dimensão que reforça a importância econômica da atividade e a necessidade de uma distribuição cada vez mais estruturada.






