“Inclusão e diversidade nas equipes são pautas urgentes”, alerta executiva da Wiz

"Inclusão e diversidade nas equipes são pautas urgentes", alerta executiva da Wiz

Stephanie Zalcman lembra que as mulheres representam 59% da força de trabalho total do mercado de seguros; homens, porém, têm mais chances de conquistar cargos de liderança

As mulheres representam mais da metade da força de trabalho do mercado de seguros. Em contrapartida, os homens figuram mais vezes em posições de decisão dentro das empresas, segundo revelou o estudo Mulheres no Mercado de Seguros 2022, produzido pela Escola de Negócios e Seguros (ENS). “Não queremos sobrepor as mulheres aos homens, mas queremos que haja igualdade”, explica Stephanie Zalcman, diretora técnica de Operações e Estruturação da Wiz Corporate.

O relatório Women in Business 2022, da Grant Thornton, mostra que 38% dos cargos de liderança no Brasil são ocupados por mulheres. Em 2019, a mesma pesquisa mostrou que apenas 25% das posições de liderança estavam sob o comando feminino. Ainda de acordo com o material da ENS, atualmente existem 2.2 diretores homens para uma mulher. Em 2012, ano de lançamento da primeira edição do material, para cada quatro executivos tinha uma executiva.

“Felizmente a tendência do mercado é um aumento da presença feminina nos cargos de liderança”, conta a diretora da Wiz. Em entrevista exclusiva à SND, Stephanie analisa as particularidades de uma mulher no mercado de trabalho e conta como é adotada a política de equidade de gênero na empresa em que trabalha.

Seguro Nova Digital – A Wiz é uma empresa com cerca de 2 mil funcionários. A desigualdade entre homens e mulheres em cargos de liderança ainda está presente no mundo corporativo, inclusive no setor de seguros. O que a companhia faz para diminuir essa distância dentro da empresa?

Stephanie Zalcman – A inclusão e diversidade nas equipes é uma pauta urgente, não apenas por questões humanas e sociais, ou porque a pluralidade promove melhores resultados, por óbvio, mas também para evitar sérios problemas com a justiça. O Supremo Tribunal Federal (STF), desde 2019, determina que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero é considerada crime. É uma extensão da Lei de Racismo (7716/89), que prevê crimes de discriminação ou preconceito por “raça, cor, etnia, religião e procedência nacional”.

SND – E como a Wiz adota isso na sua operação? 

SZ – A Wiz Co estabelece políticas claras de diversidade, inclusão e tolerância zero à discriminação e assédio. A liderança orienta as equipes para assegurar que nenhuma pessoa seja discriminada por sua orientação sexual, identidade de gênero ou expressões de gênero. O tema é um dos critérios usados pela GPTW (Great Place to Work), pela qual temos o selo de “melhores empresas para se trabalhar no Brasil”, na avaliação do relacionamento entre os colaboradores e as empresas. É um dos nossos melhores resultados. Temos uma estratégia clara, com posicionamento duro em relação aos temas de preconceito.

SND – Analisando o mercado segurador como um todo, você acredita que ele esteja avançando nessa pauta?

SZ – No setor de seguros, as mulheres hoje já são maioria, representando 59% da força de trabalho total. Todavia, quando olhamos para as posições na liderança, os homens têm 3,5 vezes mais chances de ser um executivo na empresa e duas vezes mais chances de ser um gerente da companhia. Felizmente a tendência do mercado é um aumento da presença feminina nos cargos de liderança.

No papel, não há nada que impeça as mulheres de atingir os cargos “C Level”, mas ainda muitas mulheres são acometidas pela “síndrome do impostor”, um sentimento de insegurança e incapacidade de internalizar o sucesso. Muitas vezes mais preparadas e qualificadas em nível de escolaridade e competências, comumente deixam de se candidatar para posições executivas por acreditar que não estejam preenchendo 100% dos pré-requisitos para a posição.

SND – E como você acredita que essa questão de autoestima pode ser superada?

SZ – Aposto na capacidade das mulheres de resolver várias questões ao mesmo tempo, a concentração, a agilidade no pensamento para ser resolutiva e isso tanto na área de seguros como em qualquer outra faz a diferença. Vejo colegas de trabalho e do segmento desenvolvendo a cada dia papéis importantes para o crescimento do mercado.

Certamente, as mulheres possuem características que lhes são muito particulares. As mulheres são orientadas às pessoas, e por isso, tendem a ser mais sociáveis e expressivas. Promovem e estimulam facilmente o trabalho em equipe. Mulheres possuem alta capacidade em atuar em várias direções, temas ou atividades ao mesmo tempo.

A liderança feminina é inclusiva, sempre encorajando participação. A mulher consegue ser inovadora, centrada, e ao mesmo tempo, flexível e sempre pronta para mudanças. Ao contrário do que muitos acreditam, a mulher tem um elevadíssimo controle emocional, sendo capaz de gerar altos níveis de empatia. A mulher tem a capacidade de enxergar além das aparências, antecipar uma demanda e perceber as necessidades do outro. Existe um lado humano e uma orientação para as pessoas que acaba criando forte empatia com a equipe.

Para ocupar posições que cada vez exijam mais capacidade técnica e profissional é fundamental conciliar essas particulares natas com a capacitação técnica. As pessoas precisam estar prontas e preparadas quando as oportunidades aparecem.

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SND – A diversidade de gênero em cargos de liderança pode impactar positivamente no resultado operacional das empresas?

SZ – A diversidade tem ganhado espaço em empresas de todos os setores e, felizmente, também no mercado de seguros, que há muito era tido como masculino. Mulheres e homens pensam diferente e isso traz uma combinação fundamental para atingir alta performance nas equipes.

As mulheres têm uma forma especial de lidar com as emoções das pessoas. Por isso, existe a vocação natural para o mercado que trata da proteção. Mas, talvez por perfeccionismo ou carga histórica, muitas vezes não se sentem capazes de exercer o mesmo cargo que homens. Mesmo estatisticamente sendo mais estudiosas e capacitadas, muitas ainda não se colocam como deveriam. Enquanto a mulher precisa se sentir capacitada para exercer suas funções, a natureza masculina impulsiona o homem naturalmente ao desconhecido e, portanto, estão sempre prontos a assumir posições de decisão com muito mais facilidade.

SND – De que maneira preparar as mulheres para que estejam dispostas a aceitar um desafio dentro do mercado de seguros?

SZ – A Sou Segura, da qual sou embaixadora, tem como slogan “Rumo ao equal”. A associação trata justamente de desenvolver a equidade de gênero no setor, preparar mais mulheres para os cargos de liderança, dando oportunidades para que elas façam mais networking, se preparem e se sintam mais seguras para assumir posições mais altas e também motivar as empresas a se engajarem nesse projeto para que tenhamos mais diversidade nas companhias, especialmente na alta gestão, melhorando o clima organizacional, motivando outras mulheres que estão em cargos menores e consequentemente trazendo maior rentabilidade para suas companhias.

SND – Hoje, quantas mulheres ocupam cargos de liderança dentro da Wiz?

SZ – Considerando todos os cargos de liderança dentro do Grupo Wiz Co, temos aproximadamente 123 mulheres ocupando esses cargos, representando cerca de 47% do total. Esse percentual deve seguir crescendo, não queremos sobrepor as mulheres aos homens, mas que haja igualdade.

Leia, por fim, a 30ª edição da revista:






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