30/11/2020

Um novo mercado de seguros está surgindo

Um novo mercado de seguros está surgindo
Por: Luis Fabiano dos Santos, COO da Swiss RE Corporate Solutions

Durante um discurso no ano de 1959, John F. Kennedy fez uso de uma famosa frase, que apesar dos anos de existência, parece mais atual e importante do que antes: “Quando escrita em chinês, a palavra crise é composta por dois personagens. Um representa o perigo, e o outro representa a oportunidade”.  

É quase óbvio dizer que as maiores transformações e oportunidades chegam disfarçadas de grandes desafios. É incontestável que a crise gerada pela pandemia trouxe muitas mudanças e acredito firmemente que este período de estagnação econômica produzirá resultados positivos muito brevemente, através de movimentos sociais, inovações produtivas e tecnológicas e novas oportunidades de negócios. 

Na indústria de seguros, não é diferente. Mudanças precipitadas pela pandemia afetaram não somente o comportamento de milhões de pessoas, como também as formas tradicionais de fazer negócio. Em que direção estamos caminhando? É sobre isto que pretendo falar aqui.

O mundo pós-pandêmico

Além de trazer inúmeras mudanças, a pandemia aumentará o ritmo das transformações que o mundo, principalmente no setor de negócios e mercado, já vinham experimentando. É importante compreender desde o início a profundidade de uma crise como essa e como superar os obstáculos. Melhorar em um período difícil exige aceitação do risco e disposição para mudar o curso dos eventos. 

Uma das muitas transformações que estamos vivenciando (não descarto que novas mudanças e ajustes sociais e econômicos seguirão acontecendo), tem a ver com uma tomada de consciência geral com relação a nossa necessidade de proteção financeira. Quem não se perguntou “como minha família se manteria financeiramente caso eu morresse de repente?”, ou “eu os deixaria passando por alguma necessidade?”, ou “eles teriam tudo o que precisam?”.

Seguindo a opção mais lógica, a escolha por um seguro de vida se apresenta como a solução subjetiva mais provável para esse tipo de questionamento. Mas a verdade é que cada pessoa possui suas próprias preocupações cognitivas que as impedem de obter uma visão a longo prazo para tomadas de decisões.  

A grande pergunta é: será que realmente precisamos pensar na melhor abordagem de custo-benefício no momento de uma escolha? Na minha opinião, a resposta é claramente “Sim”. 

Cada vez mais pessoas parecem estar pensando nessa direção e o setor de seguros tem reagido a essa demanda crescente, no sentido de incorporação do digital em vários processos e operações. Esse casamento entre oferta e demanda promete dar nascimento a um mercado totalmente novo muito em breve. 

Novas formas de negócio 

Os computadores e dispositivos móveis se tornaram a nova janela para o mundo exterior. É cada vez mais comum que as vidas se passem dentro de mídias, desde tarefas mais simples, como programar a TV para ligar no momento do programa favorito, e até mesmo todo o sistema de segurança de uma casa.

O tempo em que as pessoas passam na frente de uma tela digital aumentou consideravelmente durante o período de pandemia. Por conta disso, as seguradoras viram a conveniência de estar onde clientes e consumidores em potenciais estão. Com a era do consumidor digital (talvez vista como novidade no Brasil, mas bem avançado em outros países), houve a necessidade da reformulação do modo de como as coisas eram feitas, para que a adoção de novas formas de fazer negócio pudessem ser bem sucedidas. 

Os esforços das seguradoras para modernizar os sistemas de administração de apólices nos últimos anos colocaram muitas operadoras de vida em uma posição forte para responder rapidamente aos clientes de maneira remota. Desde aplicativos eletrônicos e processamento direto, as seguradoras hoje estão mais bem preparadas do que há alguns anos para se adaptarem rapidamente à cultura do trabalho em casa e distanciamento social. 

Embora os dados de saúde sempre tenham sido um dos principais elementos na indústria de seguros, a crise da pandemia trouxe um destaque renovado em bem-estar e em como seguradoras podem ajudar os consumidores a protegerem sua saúde. 

Segundo a pesquisa do site Swiss Re que abordou o meio que a pandemia mudou a forma de compras em seguradoras, 37% dos entrevistados afirmaram que estão mais inclinados a comprar seguro de vida online e 15% disseram que continuarão a comprar online.  

As implicações consequentes da pandemia estão modificando a forma de pensar com relação a seguros e proteção, fornecendo novos insights sobre os comportamentos do consumidor que influenciarão uma nova geração de produtos e serviços.

Casamento entre oferta e demanda 

Ou seja, além de uma maior inclinação das pessoas para procurar formas de proteção, os meios à disposição estão se transformando para melhor. Esse casamento entre oferta e demanda deve transformar radicalmente a cultura de previdência de milhões de pessoas e o modo como o setor tem se organizado.

Somente nos Estados Unidos, quase metade dos americanos residentes não possuem seguro de vida. No entanto, desde o início e a agravação da pandemia, 58% dos consumidores americanos estão mais conscientes da importância de contratar um seguro de vida. 

Isto prova que a pandemia serviu como um lembrete de que a vida é preciosa e vulnerável, e de como cada um de nós precisa contribuir para proteger não somente nosso próprio entorno familiar, mas também as populações mais vulneráveis. 

Faço desta forma um link com o papel central das seguradoras para o produto “seguro de vida”: ajudar as pessoas a terem uma vida mais longa, saudável e sustentável. Por isso, a área de seguros está constantemente reinventando e multiplicando esforços para que o cliente possa ser protagonista de sua própria saúde e família. 

As redes continuarão a evoluir, sempre buscando meios e oportunidades para fornecer aos segurados os benefícios de um bom condicionamento físico e hábitos de vida que afetam positivamente a saúde.  

Novas habilidades e funções estão surgindo. Equipes aprenderam a se adaptar para trabalhar junto com o aumento da tecnologia. O que será realmente interessante é presenciar o impacto que toda essa aceleração trará na cultura e na capacidade humana de inovar e abraçar a mudança. Provavelmente veremos novos modelos de trabalho e, é claro, novas maneiras de melhorar a experiência do cliente.

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