O papel do seguro de transporte de carga no cenário desafiador

O papel do seguro de transporte de carga no cenário desafiador

Um dos motores da economia brasileira, o setor de transporte enfrenta períodos de dificuldade com o aumento dos roubos e constantes acidentes envolvendo motoristas; o seguro apresenta-se como uma solução não só indenizatória para reparar os prejuízos financeiros, mas também com a função de prevení-los

O resultado da economia brasileira está intimamente ligado ao rendimento do setor de transporte de carga. Um cálculo inédito da FGV realizado no primeiro semestre de 2020, no início da pandemia da Covid-19, revelou que a relação do transporte rodoviário de carga com o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil poderia chegar a 29% naquele ano. Em 2023, o país cresceu 2,9%, enquanto o segmento de transporte testemunhou um avanço de 2,6%.

As empresas estão mais conscientes sobre a importância da contratação do seguro. Dados levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostraram que as transportadoras aumentaram em 59% os seus investimentos em proteções no segundo semestre de 2023. A demanda foi impulsionada pela Lei 14.599, que mudou as regras da aquisição do seguro rodoviário de carga.

As perdas do setor ocasionadas por roubo somaram em 2022 o valor de R$ 1,2 bilhão, como apontou a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). Já em relação ao prejuízo financeiro em decorrência de acidentes, as empresas perderam R$ 12 bilhões, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Denis Teixeira, vice-presidente da Alper Cargo, uma das principais corretoras do país que possui uma operação especializada em seguro de transporte, a Alper Cargo, entende que o cenário é desafiador. Para isso, segundo o executivo, as seguradoras devem mostrar a sua importância ao oferecer não apenas proteção contra os riscos, mas também contribuindo para a estabilização financeira das operações comerciais das transportadoras. 

É comum o setor de transporte apresentar resultados positivos, assim como são corriqueiros os sinistros. Segundo o levantamento do Instituto Paulista de Transporte de Cargas (IPTC), em 2022 cerca de 108 mil veículos de carga foram envolvidos em acidentes nas estradas brasileiras. Enquanto isso, a quantidade de roubos também chama a atenção: em 2023, houve um crescimento de 4,8% das ocorrências, de acordo com a Overhaul, empresa de software de gerenciamento de riscos e visibilidade da cadeia de suprimentos.

No ranking global da consultoria, o Brasil está em segundo lugar entre os países com o maior número de roubo de cargas, atrás do México. 76% das ocorrências são na região Sudeste do país.

Segundo Denis, as companhias produzem cada vez mais soluções de gerenciamento de riscos, que ajudam a reduzir a frequência e a gravidade dos sinistros e diminuem os custos relacionados a perdas e a danos. O executivo avalia que essa movimentação do mercado de seguros é essencial para manter as transportadoras funcionando. “A capacidade de manter suas operações seguras e financeiramente viáveis, mesmo frente a desafios como roubo de cargas e acidentes frequentes, é crucial”.

É melhor prevenir…

No ano passado, a carteira de seguro de transporte de carga arrecadou um total de R$ 4,6 bilhões em prêmios. Porém, a metade desse montante foi direcionado para cobrir perdas e danos dessas operações logísticas. É o que aponta o levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

A gestão de riscos é considerada o principal trabalho de acompanhamento dos processos e perdas nas operações de transportes, seja nas mercadorias em trânsito ou nas armazenadas nos depósitos dos embarcadores, logísticos e transportadores. O diretor de relacionamento da Alper, André Ferreira, explica que o sinistro na carteira de transporte possui particularidades como os prejuízos indiretos, seja por exposição das marcas envolvidas, danos ambientais ou acidentes que culminaram em vítimas fatais.

O executivo observa um avanço das empresas no que tange a importância da cultura da gestão de riscos. Segundo ele, esse é o ponto vital para um crescimento sustentável.  “Podemos facilmente perceber que as empresas do segmento que mais estão se desenvolvendo são aquelas que têm investido na prevenção de perdas e na mitigação dos riscos presentes em toda cadeia logística”.

Em concordância com Ferreira, André Valgas, diretor comercial da Alper Cargo, salienta que é impossível manter o equilíbrio da operação dos transportes multimodais de cargas no Brasil sem a gestão de riscos. Atualmente, a corretora possui a área ‘Proteção 360’, desenvolvida especialmente para tratar da consultoria e mitigação de sinistros. “Passamos a acompanhar as operações e as exposições de perdas dos nossos segurados no formato 360º”, pondera.

O acompanhamento é realizado por meio de softwares utilizados pelo mercado e de uma plataforma que busca no detalhe a operação, destacando valores de cargas transportadas, o seu tipo, o conhecimento dos profissionais que trabalham para o cliente da corretora e o acompanhamento dos veículos transportadores. “É possível fazer toda a gestão de risco de forma customizada para cada operação”, explica Valgas.

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Valgas conta, ainda, que a Alper Cargo é de suma importância para os segurados, já que o programa busca o equilíbrio das operações de forma customizada para cada operação. “Nossa especialização e conhecimento profundo do tema leva aos clientes a tranquilidade de ter sua operação totalmente gerenciada. Assim, realizando a prevenção e, consequentemente, evitando as perdas inerentes à atividade logística”. 

Neste momento, a Proteção 360 atua em três frentes:

  • Alto investimento no software Alper Cargo para consolidar os dados e transformá-los em informações relevantes e de fácil acesso ao segurado. Desse modo, o segurado tem mais acesso para utilizar no seu trabalho de gestão de risco;
  • Mitigação do roubo de carga, com rápida velocidade de retorno e um crivo de alta qualidade;
  • Mitigação de acidentes com carga: ferramentas de ranking de excesso de velocidade, apontando os principais ofensores que precisam ser trabalhados na operação do segurado.

“O segurado tendo mais acesso à saúde da sua apólice, ao seu histórico de sinistros e as principais informações dele, é um importante caminho para a identificação do que precisa ser atacado na gestão de riscos”, comenta Fernando Takezawa, diretor de produção da Alper Cargo.

Takezawa lembra também que uma boa gestão de riscos permite melhores negociações de termos e condições em todos os tipos de seguros, além de economia e outras frentes como manutenção de veículos, gastos com combustível, pneus, entre outros insumos.

A Alper também quer impulsionar a cultura de identificação de riscos dentro das empresas. “Somos um canal forte de divulgação das melhores práticas”, afirma Takezawa. Usualmente, segundo o executivo, empresas de tecnologia voltadas para software ou hardware e prestadores de serviço do setor de segurança apresentam produtos e serviços que ajudam na mitigação de riscos no transporte.

A logística é agro

Em termos territoriais, o Brasil é o quinto maior país do mundo e é dependente do transporte rodoviário. Essas características podem ser um problema sem um processo de aplicação eficiente na logística, sobretudo no transporte de alimentos perecíveis. O agronegócio é outro setor com significativa participação na economia do país. A atividade teve um crescimento de 15,1% no ano passado.

Pensando na importância desse segmento, a Alper está aperfeiçoando seus sistemas de informação em tempo real, que permite ofertar soluções cada vez mais personalizadas e que agregam valor ao consumidor. “Temos muito a contribuir com produtos feitos para o perfil de clientes e com soluções de gestão que se encaixam nas necessidades operacionais e também que agregam grande segurança aos transportadores e embarcadores”, comenta Jackson Froguel, diretor da filial de Maringá/PR da Alper.

Froguel conta que o agronegócio, que representa por volta de 24% do PIB nacional, é uma das fortes linhas atendidas pela corretora. Ele argumenta que o segmento tem experimentado as soluções de tecnologia e gestão de risco que trazem maior segurança para um segmento que vem buscando maior índice de qualidade e segurança no transporte “após a porteira até o destino final”. 

Essa eficiência no campo, segundo o executivo, é viabilizada pelo DNA de tecnologia da corretora. “Com a Alper Tech, os investimentos em tecnologia se intensificaram, dando-nos condições de apresentar aos clientes um grupo de soluções”, destaca. Na sua avaliação, saber onde agir dentro das operações é essencial para que as medidas aplicadas sejam efetivas e corretivas.

O especialista salienta que, com tecnologia de ponta, a Alper está atenta às demandas e um passo à frente nessas soluções. “Somos uma verdadeira potência do ponto de vista da porteira para dentro como produtores e temos focado em soluções que reforcem nossa logística do agro”.

Ainda neste semestre, a corretora promete lançar no mercado uma ferramenta que, nas falas de André Ferreira, será inovadora e disruptiva, que colocará a empresa ainda mais em posição de vanguarda. “Nosso segurado poderá, se desejar, ter uma experiência completamente digital no cotidiano conosco, o que certamente trará ainda mais velocidade e performance em nossas entregas e que beneficiará sobremaneira toda nossa carteira de clientes”, conta.

Mesmo diante das preocupações que rondam o setor de transporte, Denis Teixeira projeta um aumento da receita de forma sustentável até o fim deste ano. “Para alcançar bons resultados, é fundamental que as empresas priorizem a aplicação rigorosa de regras de gerenciamento de riscos”. Teixeira entende que a consequência disso é a melhoria do balanço da carteira, permitindo que as seguradoras ajustem seus prêmios e termos de cobertura de acordo com o perfil do seu segurado.

“Esse enfoque na gestão de risco não apenas ajuda a controlar os custos associados à sinistralidade, mas também fortalece a confiança dos clientes das seguradoras, o que pode levar a um aumento da demanda por seus produtos e serviços”, conclui o vice-presidente de transportes da corretora.





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