Experiência, IA e conexão humana dominaram debates no Thunder Summit

Experiência, IA e conexão humana dominaram debates no Thunder Summit

Em evento promovido pelo Grupo Exalt e pelo JRS, executivos defenderam que o futuro do seguro depende menos de discurso tecnológico e mais de relações simplificadas e eficientes

A primeira edição do Thunder Summit trouxe à tona temas como experiência, comunicação, inteligência artificial, retenção de talentos, cultura organizacional e comportamento de consumo. Todos os assuntos com focados em aplicar essas estratégias no mercado de seguros. A realização do evento, que aconteceu na última quinta-feira, 21, em São Paulo, foi o resultado da parceria entre o Grupo Exalt e o JRS.

Executivos, especialistas e representantes de grandes companhias defenderam uma visão em comum: inovação deixou de estar associada apenas à tecnologia e passou a depender, principalmente, da capacidade de simplificar relações, entender comportamento e criar conexões mais humanas.

Experiência ganha protagonismo no setor

Um dos principais nomes do evento, Alexandre Federman, CEO do Grupo Exalt, abriu o encontro reforçando que o mercado segurador atravessa uma transformação que já acontece no presente.

“O mercado não vai mudar. Ele já mudou”, afirmou. Segundo ele, o setor ainda dedica grande parte da energia à conquista de novos negócios, enquanto a retenção e a experiência permanecem subestimadas.

“96% dos clientes que vão embora não reclamam. Eles simplesmente saem”, destacou.

Federman defendeu que experiência não deve ser tratada como diferencial, mas como parte da estratégia de permanência e relacionamento. Para ilustrar, citou empresas como Uber, Netflix, Amazon e Airbnb, que transformaram mercados ao eliminar atritos da jornada.

“Experiência não é algo complexo. Muitas vezes são pequenos momentos que fazem diferença”, disse.

Inteligência artificial avança, mas fator humano segue central

A inteligência artificial apareceu recorrentemente ao longo dos painéis. Patricia Chacon, CEO da Porto Seguro, destacou que a tecnologia precisa estar conectada a necessidades reais das pessoas. Ela citou exemplos recentes da China e da indústria de tecnologia para ilustrar como a IA vem sendo aplicada de forma mais funcional e integrada ao cotidiano.

“Quem está ganhando essa corrida da IA está usando inteligência artificial em coisas que fazem sentido”, afirmou.

Na Porto, segundo a executiva, o uso da tecnologia já impacta áreas como vistoria prévia, análise de imagens e prevenção de fraudes.

“A IA facilita, acelera processos e potencializa o trabalho humano”, explicou.

Mesmo com o avanço digital, executivos defenderam que o relacionamento continua sendo essencial, principalmente em produtos consultivos.

“No seguro de vida, a presença humana continua sendo muito importante”, afirmou Eduardo Mota, Head MAG Lab.

Ferramenta estratégica

Outro tema que ganhou destaque foi a mudança na forma de comunicação dentro das empresas e nas relações comerciais.

Especialista em comunicação, Carol Portilho chamou atenção para o impacto da linguagem corporal, da presença e da conexão no ambiente corporativo.

“A comunicação hoje é baseada em conexão. Se você não gera conexão, não gera presença, autoridade nem influência”, afirmou.

Durante a palestra, ela abordou como postura, pausas, gestos e ritmo da fala interferem diretamente na percepção das pessoas.

“O ser humano mudou. A forma de se relacionar mudou. Se a gente continuar se comunicando da mesma maneira de 20 anos atrás, não funciona mais”, disse.

Clareza contratual e transparência entram no radar jurídico

Questões relacionadas à linguagem dos contratos e à transparência também entraram em pauta.

Em painel conduzido por Adriana Ramos e Suellen Paranhos, da Ramos Advogados, o debate mostrou como decisões judiciais vêm ampliando a responsabilidade das seguradoras na comunicação das coberturas e exclusões.

“Não basta informar. É preciso garantir que o segurado compreenda a informação”, destacou Suellen.

As executivas citaram casos em que cláusulas consideradas pouco claras resultaram em indenizações e condenações por dano moral.

Segundo Adriana Ramos, o desafio não está apenas no cumprimento técnico da informação, mas na capacidade de comprovar que houve entendimento real do contrato.

Cultura organizacional e liderança feminina

Durante participação em um podcast ao vivo mediado por Júlia Senna e Alexandre Federman, Erika Medici, CEO da AXA no Brasil, falou sobre liderança, cultura corporativa e equidade de gênero.

Ela relembrou o período em que assumiu a presidência da companhia pouco antes do lockdown da Covid-19.

“A comunicação transparente e próxima foi fundamental para manter o time engajado naquele momento”, afirmou.

Erika também trouxe reflexões sobre posicionamento feminino no ambiente corporativo.

“Não esperem ser chamadas para o jogo. Digam que querem jogar”, disse.

Cenário econômico amplia necessidade de adaptação

A programação também incluiu uma análise econômica conduzida por Rodolfo Margato, economista da XP.

Ao abordar juros, câmbio, petróleo e cenário internacional, ele destacou o grau de imprevisibilidade que influencia os mercados globais.

“Ninguém tem bola de cristal”, resumiu.

Segundo o economista, o Brasil continua atraindo fluxo estrangeiro mesmo em meio às tensões geopolíticas e às incertezas internacionais.

Mercado conectado

Entre painéis, ativações e debates, o Thunder Summit consolidou um consenso entre os participantes: o mercado segurador vive uma mudança estrutural impulsionada por comportamento, conectividade e expectativa de experiência.

Mais do que produtos, o público busca clareza, agilidade, conveniência e relação de confiança.

No encontro, inovação apareceu menos associada ao discurso futurista e mais ligada à capacidade de adaptação prática do setor diante de um consumidor exigente e digital.

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