Exclusivo – Solange Vieira acertou ao dizer que falta tecnologia no mercado de seguros?

Solange Vieira acertou ao dizer que falta tecnologia no mercado de seguros?

Em entrevista ao Valor Econômico, Solange Vieira, superintendente da Susep, fez duras críticas ao atual modelo de distribuição do mercado de seguros. Segundo a economista, o setor é concentrado e usa poucas ferramentas de inovação e, desse modo, atrapalha o aumento da sua popularidade no país.

No entanto, profissionais do setor de seguros e prestadores de serviços observam grande expansão tecnológica no segmento. A ilegra, por exemplo, empresa global de design, inovação e software que desenvolve estratégias e experiências de consumidores, possui diversos clientes no mercado segurador que procuram suas soluções.

A Seguro Nova Digital conversou com Caroline Capitani, VP de inovação da companhia. A excecutiva opinou sobre o uso de tecnologia no setor de seguros e explicou como as seguradoras procuram a ilegra a fim de participar de uma nova experiência.

Seguro Nova Digital –  Antes do surgimento das insurtechs, as práticas no mercado de seguros eram baseadas em modelos já tradicionais. Hoje o setor passa pela fase de transição. Você acredita que o mercado segurador já está se aproveitando das novas tendências?

Caroline Capitani – Acredito que sim. Sentimos o mercado se movimentando nesse sentido. Seguradoras nos procuram para acelerar seus processos de transformação digital e para buscar soluções mais inovadoras para se manterem competitivas no mercado.

Muitas ainda estão focadas em usar as novas tecnologias para reduzir os custos operacionais e dar um salto significativo de produtividade e escala aos negócios. Neste contexto, a área de relacionamento e vendas online se destaca.

Nos mapeamentos que fizemos identificamos a criação e ampliação dos Labs de inovação, especialmente das seguradoras maiores, cujo o objetivo normalmente passa por testar e validar novas soluções que têm o segurado no centro da projetação.

SND – Atualmente, muito se fala sobre o futuro da profissão do corretor em decorrência do advento tecnológico. Qual seu ponto de vista sobre esse tema?

CC – Apesar do movimento forte em todos os setores de desintermediação e de autosserviço penso que os corretores ainda têm papel importante no processo de venda de seguros. O fator humano tem seu valor. Por mais que esteja acontecendo um processo de tirar o “segurês” da explicação dos serviços, continuamos falando de uma venda não trivial. Desse modo, tem um grau de complexidade envolvido. O que vai mudar ou já está mudando é o papel do corretor nesse fluxo. Ele será mais consultivo e menos operacional. Porém a inclusão no contexto digital será decisiva para que ele se mantenha relevante no ciclo de venda.

SND – Como transformar os corretores em aliados da tecnologia?

CC – É necessário realizar um trabalho de cultura digital com esse público. É natural do ser humano, muitas vezes, rechaçar a mudança. Por esse motivo é importante mostrar os ganhos e benefícios que a tecnologia traz, o quanto ela permite conhecer ainda mais o cliente, o quanto ela desonera e agiliza atividades operacionais.

Caroline Capitani, VP de inovação da ilegra
Caroline Capitani, VP de inovação da ilegra
SND – No seu ponto de vista, quais carteiras de seguros podem ser mais beneficiadas com o avanço tecnológico no setor?

CC – A transformação digital tem poder de impactar a indústria como um todo. Queria destacar em especial o potencial do uso dos dados, da inteligência artificial e do aprendizado de máquina nesse setor.

Como disse Tom Peters, autor do livro “Data Science para Negócios“, as organizações que não entenderem a enorme importância da gestão de dados e informações como ativos tangíveis na nova economia, não sobreviverão. Os dados permitem às seguradoras modelarem seguros baseado em uso: usando dados sobre o comportamento do motorista para precificar o seguro automóvel integrando tecnologias de GPS e telemetria, que permitem às seguradoras coletar dados de motorista em tempo real.

A análise atuarial pode se beneficiar da avaliação de risco baseada em big data durante o desenho e a precificação do produto, usando mais dados externos de terceiros, dados de redes sociais e dados não estruturados.

Destaco a invasão dos dados no seguro agro. O gerenciamento da qualidade das culturas, por exemplo, por meio da coleta e análise do solo, é um serviço que pode ser cada vez mais oferecido pelas empresas de seguro para ajudar os agricultores a obter o máximo de suas colheitas e limitar seu risco de seguro.

SND – Você acredita que o mercado de seguros brasileiros ainda está preso na burocratização?

CC – Ainda há muito para avançar no mercado de seguros. Uma indústria tão tradicional que existe há mais de 200 anos leva um certo tempo para se oxigenar, para “harmonizar as leis aos avanços tecnológicos”, como disse a superintendente da Susep em sua posse, Solange Vieira. Entende-se um pouco pela natureza dos serviços prestados e pela responsabilidade que tem perante a proteção do cidadão. Mas esses avanços trazem maior competitividade no setor, mais transparência, maior espectro de produtos e serviços, mais acesso, entre outros benefícios para a população que ainda não tem uma cultura de seguro tão forte quanto outros países.

SND – Quais exemplos de fora podem ser usados no Brasil?

CC – Inspirações externas sempre são fontes de mudanças e de melhorias nos nossos serviços no Brasil. Por isso muitas seguradoras procuram a ilegra para mapeamento de seguradoras que atuam em outros países para benchmarking. Novos riscos em pool, novas formas de distribuição, novos modelos de negócios, novos nichos de atuação, são alguns dos temas analisados. Como exemplos de empresas pode-se citar a Cyence que atua como Plataforma para modelo de economia de risco cibernético; a Next Insurance que tem como foco seguro personalizado para profissionais de nicho; a Trov que é um App de seguros sob demanda para itens pessoais e a Simplesurance que é um software que facilita a aquisição de seguro para compras no varejo no momento do checkout online

SND – O desenvolvimento de novas ferramentas podem auxiliar a penetração da cultura do seguro no país?

CC – Sem dúvida que a tecnologia e novas ferramentas permite a ampliação do acesso. Públicos que ficam às margens, que são negligenciados por muitas seguradoras podem ser trabalhados por iniciativas nascentes. Iniciativas estas que apresentem soluções nichadas para atender dores específicas de uma parcela da população. Soluções “on demand”, “one click”, têm o cliente no centro e não a conveniência somente à seguradora. E isso muda tudo!

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