IPSA recua 15,7% em 12 meses e chega a 4,3%, enquanto seguro de moto registra 8,6%, o dobro do indicador dos automóveis, aponta levantamento da TEx
O preço relativo do seguro auto atingiu em julho de 2026 o menor patamar da série histórica acompanhada pela TEx, empresa da Serasa Experian. Segundo o estudo IPSA + IPSM, o índice do seguro auto caiu para 4,3%, enquanto o seguro de moto ficou em 8,6%, exatamente o dobro do indicador dos carros.
Em 12 meses, o IPSA passou de 5,1% para 4,3%. A queda foi de 0,8 ponto percentual, equivalente a uma redução de 15,7%. No mesmo período, o IPSM recuou de 10,1% para 8,6%, baixa de 1,5 ponto percentual, ou 14,9%.
O comportamento dos dois segmentos, porém, segue diferente. Entre janeiro e julho de 2026, o seguro auto caiu 8,5%, de 4,7% para 4,3%. Com isso, alcançou o menor valor de toda a série analisada.
No seguro de moto, a retração foi menor. O IPSM recuou 2,3% no mesmo intervalo, de 8,8% para 8,6%. O indicador também está abaixo dos níveis registrados anteriormente, mas permanece em patamar significativamente superior ao do seguro auto.
A diferença entre os dois índices diminuiu em 12 meses, passando de 5,0 para 4,3 pontos percentuais. O resultado mostra um cenário de alívio nos dois mercados, mas com maior estabilidade no segmento de automóveis e mais oscilação nas motocicletas.
“Os dados de julho mostram dois movimentos distintos. No automóvel, a redução vem se consolidando e levou o índice ao menor nível da série. Nas motos, também há um alívio importante em 12 meses, mas o indicador ainda está no dobro do observado para os carros e apresenta maior oscilação no curto prazo. São dinâmicas que precisam ser acompanhadas separadamente”, afirma Rodolfo Brandão, gerente executivo de Seguros da Serasa Experian.
Seguro novo segue mais caro que renovação
O tipo de contratação continuou influenciando o preço do seguro em julho. No seguro novo, o índice foi de 5,5% para automóveis e 9,4% para motocicletas.
Nas renovações realizadas por outra corretora, os percentuais ficaram em 3,0% no seguro auto e 8,0% no seguro de moto. Já nas renovações feitas pela própria corretora, os índices foram de 3,6% para automóveis e 6,7% para motocicletas.
Os números mostram que a modalidade de contratação continua sendo uma variável relevante na precificação. A diferença é ainda mais evidente no segmento de motos, que apresentou os maiores índices em todos os recortes.
Perfil do segurado influencia preço de auto e moto
O recorte por sexo mostrou comportamentos diferentes entre os dois produtos. No seguro auto, homens e mulheres registraram queda. Nas motocicletas, ambos tiveram alta na comparação mensal.
No IPSA, o índice masculino caiu para 4,5% e o feminino para 4,0%. Os dois resultados representam os menores valores da janela analisada.
Nas motos, o IPSM masculino subiu para 8,8% e o feminino para 8,3%. Apesar da alta mensal, os indicadores permanecem abaixo dos níveis registrados 12 meses antes.
A idade também continua influenciando a precificação. No seguro auto, todas as faixas etárias ficaram abaixo dos índices de julho de 2025 e atingiram suas mínimas ou empataram com elas. Foi o primeiro recuo simultâneo dos cinco grupos desde dezembro de 2025.
No seguro de moto, todas as faixas apresentaram queda na comparação anual. O recuo foi de 10,6% entre condutores de 18 a 25 anos e chegou a 17,4% entre aqueles com 56 anos ou mais.
Região Metropolitana do Rio registra maior índice
A localização do segurado permanece entre os fatores que mais influenciam o preço do seguro. Em julho de 2026, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro apresentou os maiores índices entre as regiões analisadas.
No seguro auto, o indicador foi de 5,6%. No seguro de moto, chegou a 12,0%.
Em Fortaleza, os índices foram de 3,0% para automóveis e 7,5% para motocicletas. Dessa forma, o Rio apresentou indicador 86,7% maior no seguro auto e 60% superior no seguro de moto.
São Paulo registrou 4,4% no seguro de automóvel e 11,4% no seguro de moto. Recife ficou em 4,1% e 8,3%, respectivamente. Já Belo Horizonte apresentou 3,9% no seguro auto e 8,0% no seguro de moto.
“Cada seguro é resultado da combinação de diferentes características de risco. Localização, idade do condutor, valor e idade do veículo, entre outros fatores, ajudam a explicar por que perfis aparentemente semelhantes podem encontrar condições bastante diferentes. Por isso, os recortes regionais são importantes para entender a precificação além da média nacional”, explica Brandão.
Veículos mais antigos apresentam índices maiores
As características do veículo também influenciaram a precificação em julho. Carros com seis a dez anos de uso registraram índice de 5,7%, contra 3,0% entre veículos zero quilômetro.
A diferença representa um índice 90% maior para os veículos usados na faixa de seis a dez anos.
O estudo também mostra diferenças conforme o valor do veículo na Tabela Fipe. Os automóveis de menor valor concentram percentuais mais elevados de seguro e apresentam maior sensibilidade às oscilações de risco e precificação.
Em julho, todas as faixas de valor da Fipe registraram queda. O destaque ficou com os veículos entre R$ 51 mil e R$ 80 mil, que tiveram retração de 5,1% no mês.
Elétricos e híbridos ganham espaço nas cotações
Entre os veículos com até dois anos de uso, todas as motorizações analisadas apresentaram índices inferiores aos registrados em julho de 2025. A gasolina teve a maior queda anual, de 4,0% para 3,4%.
Na comparação das médias semestrais, os veículos elétricos tiveram o recuo mais intenso. No entanto, o comportamento mensal foi diferente entre as tecnologias: o índice dos elétricos avançou, o da gasolina ficou estável, enquanto diesel e híbridos recuaram.
A gasolina continua predominante nas cotações, mas os veículos eletrificados já representam uma parcela relevante. Em julho, os modelos a gasolina responderam por 81,0% do volume analisado. Elétricos, híbridos e diesel somaram 19,0%, sendo 8,8% de elétricos, 6,1% de híbridos e 4,1% de diesel.
“A diversificação das motorizações já começa a aparecer com mais clareza nas cotações. Em julho, elétricos, híbridos e diesel somaram 19% do volume analisado. À medida que essas tecnologias ganham presença no mercado, acompanhar sua dinâmica de precificação passa a ser cada vez mais relevante para seguradoras, corretores e consumidores”, avalia Brandão.
Entre os modelos mais cotados pelo TELEPORT em julho, o Chevrolet Onix liderou, com 5,1% do volume total. Na sequência apareceram o Hyundai HB20, com 4,4%, e o Volkswagen T-Cross, com 4,0%.
Entre os híbridos, o BYD Song liderou as cotações, com 45,1%. Nos elétricos, o BYD Dolphin ficou na primeira posição, com 52,2%.
Franquia permanece em 5,5%
O indicador de franquia do seguro auto permaneceu em 5,5% em julho de 2026, resultado 5,8% superior ao observado 12 meses antes.
Também houve diferenças conforme o valor do veículo. Os automóveis entre R$ 31 mil e R$ 50 mil registraram índice de 7,3%. O percentual foi 43,1% maior que o observado entre veículos de R$ 81 mil a R$ 150 mil, que ficaram em 5,1%.
O relatório completo do IPSA + IPSM – Índice de Preço do Seguro de Automóvel e Moto, referente a julho de 2026, está disponível para consulta e download no site da TEx.






